Dia 27 do mês, geladeira quase cantando de vazia, e eu olhando pra aquela sobra de feijão mulatinho e umas batatas murchando no fundo da gaveta. O sopão da tia são é daquelas sopas que não precisam de apresentação: caldo cor de terra avermelhada, encorpado, cheio de legumes que você sente a resistência na colher antes de ceder. Se você curtiu esta receita, vai gostar também de experimentar Sopa de Feijão Cremosa: Reconfortante e Fácil.
Foi exatamente aí que essa receita se instalou de vez na minha cozinha. Não tinha nada de especial – só o básico e uma vontade danada de comer algo quente. A base é o feijão mulatinho batido no liquidificador junto com coentro, alho, tomate e pimentão – e é exatamente isso que faz o caldo ficar denso e saboroso sem truque nenhum. Nada de sopa rala aqui.
Seis porções generosas, 30 minutos, ingredientes que a maioria já tem em casa. O cheirinho que toma conta da cozinha quando o caldo começa a borbulhar é o tipo de coisa que faz vizinho bater na porta. Quem quiser ver o guia completo de sopas e caldos brasileiros pode conferir em Sopas para mais variações desse estilo.
Na sua casa, o sopão pede pão rústico ou aquela bolacha de água e sal de sempre?
🔄 Conversor de Medidas

Ingredients
- 2 xícara feijão mulatinho cozido pode ser sobra do almoço
- 750 ml água temperatura ambiente, dividida em duas etapas
- 200 g carne moída cozida temperada e refogada previamente
- 2 xícara arroz cozido pode ser sobra do almoço
- 1 unidade tablete de caldo de carne sabor costela
- 1 unidade tomate médio picado
- 1 unidade cebola média picada
- 2 unidade rodelas de pimentão verde picado aproximadamente 40 g
- 1 unidade cenoura média picada em cubinhos
- 1 unidade chuchu pequeno picado em cubinhos
- 3 unidade batatas inglesas médias picadas em cubos
- 5 unidade quiabos cortados em rodelas
- 3 unidade maxixes picados pode substituir por mais chuchu se não encontrar
- 2 dente alho
- 3 colher de sopa coentro fresco picado
- 3 colher de sopa cebolinha verde picada
- 1 colher de sopa vinagre de álcool para bater com o feijão
- 1 a gosto sal
- 2 colher de sopa azeite de oliva para finalizar na hora de servir
Method
- Coloque no liquidificador o feijão mulatinho cozido, 500 ml de água, o alho, o tomate, a cebola, o pimentão, o coentro, a cebolinha e o vinagre. Bata por cerca de 3 minutos até obter uma mistura completamente homogênea e encorpada.
- Despeje o caldo batido em uma panela grande e acrescente os 250 ml de água restantes. Adicione a cenoura, o chuchu, as batatas inglesas picadas em cubos, os quiabos em rodelas e os maxixes picados.
- Leve ao fogo médio-alto e aguarde a fervura. Assim que o caldo começar a borbulhar, esfarele o tablete de caldo de carne dentro da panela e misture bem.
- Prove o caldo e ajuste o sal se necessário. Se o sopão estiver muito grosso, acrescente mais água quente aos poucos, mexendo até atingir a consistência desejada.
- Quando os legumes estiverem quase cozidos (macios mas ainda firmes), acrescente o arroz cozido e a carne moída. Misture delicadamente e deixe cozinhar por mais 5 minutos em fogo médio.
- Desligue o fogo assim que todos os legumes estiverem completamente macios e o caldo tiver cor avermelhada e uniforme. Sirva bem quente, regado com azeite de oliva e acompanhado de pão.
Notes
Acrescente os legumes por ordem de dureza. Batata e cenoura entram primeiro, quiabo e maxixe ficam para depois. Sabe aquela cenoura do tamanho de um palmo que sua avó jogava inteira na panela? Corte em cubinhos pequenos e ela cozinha no tempo certo junto com a batata. O quiabo, se ficar muito tempo no caldo quente, desmanchou - e aí o sopão da tia são vira um mingau pegajoso. Não tem erro: duro primeiro, delicado depois.
O tablete de caldo só vai para a panela depois que o caldo estiver fervendo de verdade. Esse é o pulo do gato: se você esfarelar no caldo frio, o sal se distribui mal e você vai ficar corrigindo o tempero até o final sem nunca acertar. Espera o borbulhão, esfarelar, mexer e provar - nessa ordem. Simples assim.
NUNCA deixe o arroz cozinhar mais do que 5 minutos dentro do sopão da tia são. Já fiz isso - deixei o caldo engrossar demais enquanto atendia o telefone - e o resultado foi uma papa que nem sopa nem arroz era. O sinal de que está no ponto certo: os legumes cedem sem esforço ao garfo, a cor avermelhada está uniforme e o caldo borbulha lento e pesado na superfície. Quando isso acontecer, desligue. Pronto, é agora.
Quer um caldo mais encorpado sem usar amido? Usa o líquido do cozimento do feijão no lugar de parte da água. Esse caldo já vem carregado de amido, sabor e cor - desperdiçar é quase um crime. É um hábito da cozinha nordestina que faz sucesso garantido e você vai querer repetir em toda sopa de feijão que fizer daqui pra frente.
Como acertar o ponto do sopão da tia são?
- Bata o feijão por pelo menos 3 minutos no liquidificador – sem pressa, sem pular essa etapa. Aqui tem ciência acontecendo: quando você bate por tempo suficiente, as cascas e o amido do feijão se quebram completamente e liberam uma base naturalmente densa, sem precisar de nenhum espessante. É o que separa um caldo que tem corpo de uma aguinha cor de feijão. O liquidificador vai fazer barulho, vai espirrar um pouco quando você abrir, e a pia vai ficar com aquela manchinha avermelhada – depois é enfrentar a pia, mas vale cada segundo.
- Acrescente os legumes por ordem de dureza. Batata e cenoura entram primeiro, quiabo e maxixe ficam para depois. Sabe aquela cenoura do tamanho de um palmo que sua avó jogava inteira na panela? Corte em cubinhos pequenos e ela cozinha no tempo certo junto com a batata. O quiabo, se ficar muito tempo no caldo quente, desmanchou – e aí o sopão da tia são vira um mingau pegajoso. Não tem erro: duro primeiro, delicado depois.
- O tablete de caldo só vai para a panela depois que o caldo estiver fervendo de verdade. Esse é o pulo do gato: se você esfarelar no caldo frio, o sal se distribui mal e você vai ficar corrigindo o tempero até o final sem nunca acertar. Espera o borbulhão, esfarelar, mexer e provar – nessa ordem. Simples assim.
- NUNCA deixe o arroz cozinhar mais do que 5 minutos dentro do sopão da tia são. Já fiz isso – deixei o caldo engrossar demais enquanto atendia o telefone – e o resultado foi uma papa que nem sopa nem arroz era. O sinal de que está no ponto certo: os legumes cedem sem esforço ao garfo, a cor avermelhada está uniforme e o caldo borbulha lento e pesado na superfície. Quando isso acontecer, desligue. Pronto, é agora.
- Quer um caldo mais encorpado sem usar amido? Usa o líquido do cozimento do feijão no lugar de parte da água. Esse caldo já vem carregado de amido, sabor e cor – desperdiçar é quase um crime. É um hábito da cozinha nordestina que faz sucesso garantido e você vai querer repetir em toda sopa de feijão que fizer daqui pra frente.
Variações do sopão da tia são para toda ocasião
- Versão vegetariana do sopão da tia são: troca a carne moída por uns 200 g de grão-de-bico cozido e o tablete de caldo de carne por um de legumes. O sopão mantém o corpo e aquela cor bonita do feijão batido, com proteína vegetal e sabor suave. Quem não come carne vai à mesa feliz da vida.
- Versão com frango desfiado: peito de frango cozido e desfiado no lugar da carne moída – mais leve, mais barato e igualmente fofinho dentro do caldo. O frango absorve o tempero do feijão muito bem e é a versão que mais agrada criança. Margarina no lugar do azeite para finalizar aqui é um crime, mas frango no lugar da carne moída? Esse troca funciona direto.
- Versão mais picante do sopão da tia são: coloca uma pimenta-de-cheiro inteira junto com os legumes e tira antes de servir. Ela perfuma o caldo de um jeito que transforma o preparo sem deixar a boca em fogo – é ingrediente marcante na cozinha nordestina e baiana, e quem prova uma vez passa a colocar em tudo.
- Não tem maxixe? Sem drama. Abobrinha italiana picada em cubinhos resolve e você nem sente diferença no sabor final – o caldo de feijão batido absorve qualquer legume de textura parecida. E se a geladeira estiver mesmo no limite, aquele chuchu que sobrou de ontem funciona bem também. Improviso total, resultado aprovado.
- Com bolo de aipim com coco na mesa: sirva o sopão acompanhado de fatias de bolo de aipim com coco. Doce e salgado juntos é combinação típica do Nordeste que pega todo mundo de surpresa – e vira pedida certa quando tem visita no almoço de domingo.
💡 Substituições Econômicas
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carne moída cozida → frango desfiado cozidoEconomia de ~40%sabor mais suave, textura igualmente satisfatória no caldo
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azeite de oliva para finalizar → óleo de soja com uma pitada de colorauEconomia de ~85%perde o frutado do azeite, mas mantém a cor e o brilho do caldo
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maxixe → abobrinha italiana picadaEconomia de ~35%sabor neutro que absorve bem o tempero do caldo de feijão
📊 Informação Nutricional (por porção)
*Valores calculados com base na Tabela TACO (UNICAMP)
Perguntas Frequentes
Posso fazer o sopão da tia são sem feijão mulatinho?
Sim, o sopão da tia são pode ser feito com feijão carioca ou feijão preto cozido. O carioca deixa o caldo mais claro e suave; o preto, mais escuro e encorpado. O resultado continua saboroso em ambos os casos. Evite feijão branco, pois ele deixa o caldo pálido e com pouca profundidade de sabor no final.
Como conservar o sopão da tia são e por quanto tempo?
Guarde em pote fechado na geladeira por até três dias. O caldo tende a engrossar depois de frio - na hora de reaquecer, acrescente um pouco de água quente e mexa em fogo médio até voltar à consistência certa. Não congele com o arroz já misturado, pois ele empapa ao descongelar; separe o arroz antes de guardar no freezer.
Pode usar legumes diferentes nessa receita?
Pode, sem nenhum problema. Maxixe e quiabo são ingredientes nordestinos e podem ser trocados por abobrinha, vagem ou mandioca em cubos. A mandioca é especialmente boa aqui porque libera amido durante o cozimento, engrossa o caldo de forma natural e combina muito bem com a base de feijão batido já encorpada do sopão da tia são.
Como fazer o caldo mais grosso sem usar amido ou espessante?
Bata uma quantidade maior de feijão no liquidificador ou acrescente uma batata extra à base antes de bater. Quanto mais feijão e batata na mistura, mais o caldo engrossa por conta própria. Usar o líquido do cozimento do feijão no lugar da água também ajuda bastante, pois esse caldo já vem carregado de amido e sabor - uma técnica clássica para deixar o sopão da tia são ainda mais encorpado.